sexta-feira, 18 de maio de 2018

Esta Primavera, entre o Focinho de Cão e as Cardosas.

 

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.


Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.



Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões

sábado, 12 de maio de 2018

QUANDO O ÓPTIMO É INIMIGO DO BOM


A acumulação de sedimentos, o travamento das árvores caídas e a dinâmica das cheias, por si mesmas e na combinação entre si e com outros factores, são as causas mais comuns das alterações das margens dos rios, valas ou ribeiros.


Longe vão os tempos em que a limpeza das margens e do leito menor das valas eram confiados a profissionais, alguns encartados, que usavam ferramentas tradicionais, como a pá de valar, respeitadoras da fragilidade natural do meio. A partir dos anos 60 do século passado deixámos de poder contar com o sábio trabalho  dos valadores. Mas, por lá ficaram contendo as margens, os amieiros, choupos, freixos, salgueiros, ulmeiros, vidoeiros, vimeiros e roseiras bravas, além da vegetação rasteira. 


Apesar do Abril chuvoso, este ano não tivemos cheias. Talvez porque, por iniciativa da administração central do estado, o leito do rio  tem vindo a ser drenado. Uma dádiva valiosa do governo da nação, considerando que, por lei, compete aos proprietários nada menos do que a execução de obras hidráulicas, nomeadamente a correcção, regularização, conservação, desobstrução e limpeza do rio. Como se está mesmo a ver, encargos de valor insignificante tendo em conta os manifestos e escandalosos rendimentos  obtidos pelos agricultores na exploração familiar minifundiária ... 



São agora usados, potentes tractores e motosserras. O acesso ao rio de máquinas pesadas implica o derrube de árvores. É uma tal limpeza... Mas o objectivo é alcançado: aumento significativo do potencial de escoamento. Efeito que, por não compensado, tem um impacto negativo nas margens e, de ano para ano, uma significativa maior erosão vem acelerando a instabilidade com o derrube dos taludes. Assim, à custa dos proprietários privados, vai avançando a faixa de domínio público das margens que é, no caso do rio da aldeia, de 10 metros. Coisa de somenos...



Noutras paragens também não se dispensa o contributo das novas ferramentas. Mas há outra atenção, outra sensibilidade, outro respeito pelo meio ambiente e pelas pessoas nele envolvidas e, consequentemente, outra ponderação e outra perícia no controle da erosão e da sinuosidade. Praticam algo agora designado significativamente por bioengenharia, combinação de meios naturais e  material inerte. Os proprietários tal como o estado têm deveres legais a cumprir. Mas na distribuição dos encargos haverá ou não racionalidade e proporcionalidade em função da capacidade real dos particulares. Ou justiça, digo eu.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

TONS e SONS da PRIMAVERA


Dir-se-ia uma paisagem banal: um troço de rio de montanha, em torrente amortecida pelo leito pedregoso. Nas margens, algumas árvores despertando indolentes do frio inverno, um relvado natural protegido, e as flores amarelas dos narcisos espontâneos na crista do talude.


A mesma paisagem vista da varanda estrategicamente voltada para o rio. 



Sons repousantes, o movimento do rio, o baloiçar das folhas tenras, a brisa fresca da manhã, as cores, tudo convidando à fusão com a natureza. 
(Para voltar a ver/ouvir, accionar o símbolo no canto inferior esquerdo. Como fazer para apagar as referências indesejadas a outros vídeos?)

domingo, 29 de abril de 2018

PRIMEIRAS ROSAS do ANO


Há três para quatro dias, eram apenas botões.


Progressivamente, tornaram-se alguns em rosas abertas.


Outras flores, como as da base do canteiro, amarelas dos íris (mais precoces as dos íris azuis), fenecem cedo mas, por meses a fio, a roseira continuará em seu explendor.  

segunda-feira, 23 de abril de 2018

AZÁLEA


Em processo de adaptação, a azálea das fotos vai permanecer em vaso durante, pelo menos, um ano. 


Em meia-sombra, rega com água das chuvas e mensalmente uma pitada de adubo,  esperamos poder contar com a nova azálea por muito tempo. 


Ponto é que permaneça resguardada das temperaturas do ar da ordem dos 30 ou mais graus. A elevada humidade relativa destes dias é-lhe favorável. Mas, por quanto tempo?

quarta-feira, 18 de abril de 2018

FLOR de GINGEIRA


Já depois das chuvas, flores abertas no nosso quintal.  Felizmente anunciam-se alguns dias sem chuva. 


Aqui, ainda em botão. Alguns começaram a abrir e até já são visíveis os estames. 


A árvore não gosta de encharcamento. Também não gostaria de passar sede na época da floração.  Poderá ser aconselhado um tratamento preventivo contra a moniliose.

terça-feira, 10 de abril de 2018

IRIS


No nosso jardim não há lugar para vegetais. Já no quintal também cultivo algumas flores. Os cravos túnicos, por exemplo, ganharam um lugar certo junto dos tomateiros porque supostamente têm a virtude de afastar algumas bichezas. Verdade ou consequência, habituei-me a vê-los por lá, em largas manchas e sempre com muito prazer. Não acrescentam trabalho depois da necessária transplantação. A rega é simultânea com a das culturas hortícolas. 



Levo para o quintal outras plantas, geralmente de flores de corte, apenas porque gosto de as ver por lá.  Não requerem cuidados especiais. Amenizam o trabalho.



Nesta altura do ano, destaque para a Iris hollandica.  No jardim e ... no quintal! 


É uma flor para ver de perto, sem pressas. Textura, cores, tonalidades, transparência, tudo nelas é delicado, sofisticado, deveras exótico, raro. 
Alternativas para Abril? Quem cultiva não se prende  nem com a visão das flores brancas ou amarelas das espontâneas, na maior parte invasivas, desafiantes, nem com a superabundância das flores brancas das couves galegas!