sexta-feira, 26 de agosto de 2016

EUPHRASIA TETRAQUETRA (EUFRÁSIA, RABO-de-LOBO, MARITIME EYEBRIGHT, EUPHRASE à QUATRE ANGLES, OJO BRILLANTE)


Por toda a linha de costa de altas falésias, raramente se avista uma árvore. Mesmo os arbustos, não abundam.  Mas há bons pastos permanentes separados por vedações de arame e postes de madeira, as mais recentes, e por muros de pedra, as mais antigas.


Instalada no topo de um muro de pedra voltado para o mar, uma pequena herbácea florida chama a atenção.  Flores de cor branca, com um tudo-nada de cinza. Quatro pétalas fundidas em dois lábios sendo o superior de 2 lóbulos recurvados para cima, claramente dentados e o inferior de 3 lóbulos fundos com recortes idênticos e uma mancha em amarelo. Pelo tubo da corola saem 4 estames. O cálice é composto igualmente por 4 sépalas fundidas. 


A eufrásia aproveita as reservas das raízes das ervas vizinhas para se alimentar: é uma planta semi-parasita. Porém, fora deste tipo de ambiente - costa alta, ventosa e húmida, prados ou matos e montanha - é difícil encontrar esta robusta escrofulariácea que oferece flores tão sofisticadas e atraentes. 

sábado, 20 de agosto de 2016

SENECIO JACOBAEA (TASNEIRINHA, RAGWORT, SÉNEÇON JACOBÉE, SENECIO COMÚN)


Caminhando ainda, avistamos no manto vegetal verde pontuado do branco das margaridas, e à beira do trilho, uma nota de amarelo. À volta, sobre a direita, parece desenhar-se um novo atravessadouro. Sinal de que os caminhantes são tocados pela majestade dos tufos floridos e se afastam o suficiente para não os prejudicarem. Sobra prejuízo para as ervas comuns...


Afinal, é ainda uma asterácia. A senecio, a mal amada dos criadores de gado,  é tóxica. Os alcalóides presentes na planta, se ingeridos, são um risco muito sério, além do homem, para bovinos, cavalos ou porcos.  Consequentemente, dão-lhe caça. No entanto, é resistente à geada e aliada ao vento, por ali sempre presente, dispõe de uma capacidade notável de multiplicação (por aquénios), produzindo, cada planta, mais de 1500 sementes  e 3 gerações por ano!


Inicialmente em forma de roseta, a tasneirinha passa um ou dois anos rente ao chão. Desenvolve depois um caule que pode alcançar 1,50 m e vem a ramificar-se na parte superior. 


São procuradas por  borboletas nocturnas e aves. Ao serem ingeridas pelas lagartas das borboletas, estas, tornam-se indesejáveis como alimento justamente pela presença daquelas substâncias perigosas assim transmitidas e, quanto mais tasneirinhas houver tanto mais prosperarão as lagartas. No ano seguinte, como resultado,  sobreviveram menos tasneirinhas. Poucas tasneirinhas significam menores recursos à disposição das lagartas. Então, no próximo ano teremos uma colónia de lagartas substancialmente diminuída. As   tasneirinhas aproveitarão  a folga para recuperarem ...

domingo, 14 de agosto de 2016

ERICA TETRALIX (URZE, CROSS-LEAVED HEATH)


Neste espaço precioso, não é mais permitido o apascento do gado, nem a recolha de materiais. Mas durante séculos foi pastagem, lugar de fetos que uma vez secos eram usados na lareira e no forno, de urze para a cama do gado, arandos para a mesa e até a areia e a gravilha eram usados nas edificações. Agora, o acesso está aberto apenas a caminhantes que seguem, às centenas por dia, por trilhos bem definidos, e não se vê que um só, adulto ou criança, colha a mais insignificante das ervas. É certo que a lei prevê penalidades mas a norma parece ter sido interiorizada e tanto que, aparentemente, não há fiscalização visível. O respeito pela natureza parece espontâneo. Ou, pelo menos, tudo acontece como se o fosse.


No que restou daquelas práticas anárquicas mas explicáveis pela estrita necessidade de culturas de subsistência, a urze também tem um lugar. Aliás, nada desprezível: insectos polinizadores, nomeadamente abelhas ou borboletas, pequenas cobras não venenosas, lagartos e besouros, e pequenas aves, musgos e líquenes, encontram guarida e alimento nestes nichos de tons entre o rosa-escuro, o magenta e o púrpura. Tudo somado: a promoção e defesa da diversidade em ambientes muito frágeis. 


Esta é uma urze de turfeiras e brejos, locais húmidos que igualmente propicia. As flores da erica tetralix em forma de pequenos sinos de boca quase fechada, crescem apenas no topo das hastes voltadas para um mesmo lado e são de cor menos carregada e de maior volume do que  as urzes mais comuns. Os estames permanecem dentro do tubo da flor. 


Realce ainda para as folhas estreitas, semelhantes a agulhas, irradiando em grupos de quatro de um mesmo ponto do caule.  

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

CAMPANULA ROTUNDIFOLIA (CAMPÂNULAS, HAREBELLS, BLUEBELL)


Caminhamos agora por entre o denso manto verde que veste as altas colinas rochosas por declives acentuados até ao mar. Fustigadas pelo vento, as ervas rasteiras sacodem as intermitentes águas das chuvas de verão e deixam-se ondular. Visto de longe, o verde, em diversos tons, parece ser a única cor. Mas, mais de perto, sobressaem pequenas colónias de ervas  floridas em branco, amarelo, rosa ou azul.  


O travamento das águas é um efeito normal do revestimento vegetal contínuo. Mas nem sempre evita o desprendimento das terras. Descobre-se então a nua rocha de basalto e sedimentos de grãos de areia de tamanho variado. Adivinhe-se, então, quem primeiro logrou povoar o novo  habitat?


Nada mais nada menos do que a frágil e graciosa planta de caule fino, com cerca de 30 a 35 cm de altura, levemente inclinada. As folhas basais são arredondadas e as primeiras a cair enquanto as do caule floral, estreitas e longas, permanecem. 


São flores de 5 pétalas, soldadas em forma de sino, que darão sementes contidas em pequenas cápsulas com 4 a 5 mm que, ainda assim, conseguem competir com a concorrência, mesmo a de ervas mais altas, como os pequenos juncos ou as ericáceas. Conseguem instalar-se em ínfimas fendas naturais ou no mais vertiginoso declive. Em suma, as delicadas campânulas são muito mais resistentes do que sugere a sua frágil aparência.  

terça-feira, 2 de agosto de 2016

LOBELIA (LOBÉLIA)


Para o pleno vigor das lobélias deve acudir-se com regas frequentes. Mas, por ali, onde as encontrei, viçosas e altas de cerca de 1 metro, são habituais as chuvas mesmo no verão pelo que o jardineiro está livre desse cuidado. 


Corola de cinco lóbulos, dois dorsais e três ventrais. Na flor ao centro da foto, entre os 2 lóbulos dorsais, destaque para o estilete e estigma curvados para baixo. 


As flores dispõem-se ao longo de um eixo em níveis diferentes formando um cacho que se vai desenvolvendo no ápice, situando-se as mais velhas nos planos inferiores. Pétalas invulgarmente belas, em azul-violeta.   


Onde for possível cultivá-las em jardim, estas variedades anuais, majestosas, superam as espécies anãs preferidas para apresentar em tufos densos postos em cestos elevados ou para compor as bordas dos canteiros.  

sábado, 23 de julho de 2016

RICINUS COMMUNIS (RÍCINO, CASTER BEAN, RICIN COMMON)


Arbusto da família das euforbiáceas, de crescimento muito rápido, muito vistoso em folhas, palmadas, muito largas e brilhantes, caules a vermelho-acastanhado, em flores pouco comuns ou nos frutos, aliás, extremamente venenosos. Uma única semente é suficiente para matar uma criança pequena. Mas, o rícino, todo ele, é das plantas mais tóxicas que podemos encontrar. Por prudência, não a tenho no jardim.


A melhor atitude será conhecer e respeitar em absoluto. Ainda assim, ver é uma coisa e outra é tocar-lhe.  


As inflorescências brotam no ápice de alguns caules com flores separadamente masculinas e femininas, situando-se estas em plano superior ao das masculinas. As flores femininas apresentam-se em tons de vermelho e não têm pétalas mas, apenas, sépalas. As anteras nos estames das flores masculinas são de início em amarelo-pálido e os filetes a branco.  Depois vão passando a verde-acastanhado e a castanho muito claro.


As jovens folhas  apresentam marcas amareladas que se distribuem pela periferia dos lóbulos. Parecem estrelas-do-mar. Acabam desaparecendo à medida que atingem o crescimento completo. Realce para o anel na intersecção de vários nós e para os invulgares nectários extra-florais  na forma de pequenas esferas amareladas, ricos em açúcares e gorduras que fazem as delícias das formigas que os procuram.